sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Lançamento do Livro "Ave Sem Asas" de Ana Martins
Apresentação da obra poética "Ave Sem Asas" pela Dra. Maria José Areal
Dia 11 de Dezembro às 16h
Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe
Dia 11 de Dezembro às 16h
Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe
Exposição Colectiva de Pintura
Alunos do Atelier do Prof. J.J.Silva
Inauguração a 10 de Dezembro às 21h30
Casa Municipal da Cultura de Fafe
Inauguração a 10 de Dezembro às 21h30
Casa Municipal da Cultura de Fafe
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
IV Jornadas sobre Gaguez
Data: 27 de Novembro 2010 – Sábado
Local: Coimbra – Auditório do POLO II DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA
Horário: 09h30 às 13h00 e das 14h30 às 17h00
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
Dalai Lama
"Só existe dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."
"Cultivar estados mentais positivos como a generosidade e a compaixao decididamente conduz a melhor saúde mental e a felicidade."
"Uma árvore em flor fica despida no outono. A beleza transforma-se em feiúra, a juventude em velhice e o erro em virtude. Nada fica sempre igual e nada existe realmente. Portanto, as aparências e o vazio existem simultaneamente."
"Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e pensar no passado, poderá obter prazer uma segunda vez."
"Determinação, coragem e auto-confiança são factores decisivos para o sucesso.
Se estamos possuidos por uma inabalável determinação conseguiremos superá-los.
Independentemente das circunstâncias, devemos ser sempre humildes, recatados e despidos de orgulho."
"Para lidar com o sofrimento é preciso perceber que ele faz parte da nossa vida."
"É ilógico esperar sorrisos dos outros se nós mesmos não sorrimos."
"Não existe nada absoluto, tudo é relativo. Por isso devemos julgar de acordo com as circunstâncias."
"Transformar nosso coração e mente é compreender como funcionam os pensamentos e as emoções."
"O medo é útil quando ele nos deixa alerta."
"Nada garante que no futuro teremos uma vida melhor e mais feliz do que a que vivemos hoje."
"Grande parte do sofrimento é criado por nós mesmos."
"Reparta o seu conhecimento. É uma forma de alcançar a imortalidade."
"Matar animais por desporto, prazer, aventura e por suas peles, é um fenômeno que é ao mesmo tempo cruel e repugnante. Não há justificativa na satisfação de uma brutalidade dessas."
"Melhorar o mundo é melhorar os seres humanos. A compaixão é a compreensão da igualdade de todos os seres, é o que nos dá força interior. Se só pensarmos em nós mesmos, nossa mente fica restrita. Podemos nos tornar mais felizes e, da mesma forma, comunidades, países, um mundo melhor. A medicina já constatou que quem é mais feliz tem menos problemas de saúde. Quando cultivamos a compaixão temos mais saúde."
"A vida é tão preciosa para uma criatura muda quanto é para o homem. Assim como ele busca a felicidade e teme a dor, assim como ele quer viver e não morrer, todas as outras criaturas anseiam o mesmo."
"Se o seu coração é absoluto e sincero, você naturalmente se sente satisfeito e confiante, não tem nenhuma razão para sentir medo dos outros."
"A essência de toda a vida espiritual é a emoção que existe dentro de você, é a sua atitude para com os outros."
"Quando morremos, nada pode ser levado conosco, com a exceção das sementes lançadas por nosso trabalho e do nosso conhecimento."
"Somente a fé remove a desordem mental e devolve a clareza de espírito."
"Uma poderosa ferramenta para nos ajudar a gerir com habilidade a nossa vida é perguntar antes de cada acto se isso no trará felicidade. Isso vale desde a hora de decidir se vamos ou não usar drogas até se vamos ou não comer aquele terceiro pedaço de torta de banana com creme."
"A vingança não vai reduzir ou prevenir o mal, porque ele já aconteceu."
"O apego é cheio de parcialidade. O amor e a compaixão são imparciais."
"A opressão nunca conseguiu suprimir nas pessoas o desejo de viver em liberdade."
"A responsabilidade de todos é o único caminho para a sobrevivência humana."
"O maior juiz de seus actos deve ser você mesmo e não a sociedade."
"É triste passar pela vida causando problemas a outras pessoas e ao ambiente."
"Aprimorar a paciência requer alguém que nos faça mal e nos permita praticar a tolerância."
"A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância."
"Seja a mudança que você quer ver no mundo."
"É muito importante que o homem tenha ideiais. Sem elas não se vai a parte alguma."
"Se você quer transformar o mundo, mexa primeiro em seu interior."
"As transformações mentais demoram e não são fáceis. Demandam um esforço constante."
"A compaixão não é um sentimento que transforma os outros em seres inferiores."
"Tenho certeza de que se eu sorrisse menos teria menos amigos."
"A compaixão não é um sentimento que transforma os outros em seres inferiores."
"Tenho certeza de que se eu sorrisse menos teria menos amigos."
"Reagir com raiva costuma não dar certo. Sem ódio, agimos de modo mais eficaz."
"Um inimigo externo não tem como destruir a nossa tranqüilidade de espírito."
"Mantenham a mente aberta, assim como a capacidade de se preocupar com a humanidade e a consciência de fazer parte dela."
"Fale a verdade, seja ela qual for, clara e objectivamente, usando um toque de voz tranqüilo e agradável, liberto de qualquer preconceito ou hostilidade."
"Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior."
"Se a criança não receber a devida atenção, em geral, quando adulta, tem dificuldade de amar seus semelhantes."
"A amizade só podia ter lugar através do desenvolvimento do respeito mútuo e dentro de um espírito de sinceridade."
"Um inimigo externo não tem como destruir a nossa tranqüilidade de espírito."
"Mantenham a mente aberta, assim como a capacidade de se preocupar com a humanidade e a consciência de fazer parte dela."
"Fale a verdade, seja ela qual for, clara e objectivamente, usando um toque de voz tranqüilo e agradável, liberto de qualquer preconceito ou hostilidade."
"Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior."
"Se a criança não receber a devida atenção, em geral, quando adulta, tem dificuldade de amar seus semelhantes."
"A amizade só podia ter lugar através do desenvolvimento do respeito mútuo e dentro de um espírito de sinceridade."
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Ísis
Ísis talvez seja a Deusa mais cultuada no mundo.Vista como a Grande Mãe, Deusa do Céu, da Terra e do Submundo, Senhora do Universo e Rainha da Noite, Ísis é a Senhora dos mistérios, da vida e da morte.
Essa grandiosa Deusa pode ser invocada para tudo, pois abrange todas as questões humanas e Divinas. Isto faz com que seja conhecida como a Deusa de Dez Mil Nomes, de tantos títulos que a ela são atribuídos.
Seu nome original era Aset, que significa espírito. Deusa egípcia, Ísis recebeu este nome pelos gregos depois que estes invadiram o Egito. Assim, Ísis tornou-se conhecida e cultuada na Ásia Menor e em grande parte da Europa.
Filha de Nut (Deusa do Céu) e de Geb (Deus da Terra), Ísis tinha como irmãos, Osíris, Nephtys e Seth. Ela se casou com Osíris, seu irmão, algo comum na nobreza egípcia e em outras culturas. O que reafirma, pelo menos para mim, o tabu do incesto como algo puramente cultural.
Uma das partes mais conhecidas da história de Ísis é a procura a seu marido Osíris. Originalmente tendo se afogado num acidente, posteriormente, o mito o levou a ser assassinado por seu irmão Seth. Osíris foi esquartejado em catorze pedaços que foram espalhados pelo mundo. Ísis profundamente entristecida saiu em busca de seu amado. Se transformou em andorinha - daí sua representação com asas - se difarçou de empregada, enfermeira, prostituta, até encontrar os pedaços de Osíris. Não conseguiu encontrar um, o falo. A Deusa, então, criou um falo de ouro e através da magia trouxe Osíris à vida e concebeu seu filho Hórus.
A imagem de Ísis com seu filho Osíris nos braços hoje em dia é muito forte, principalmente pela semelhança a imagem da Virgem Maria com o menino Jesus nos braços. Mas Ísis não tem apenas o aspecto de Mãe. Ela é a Grande Deusa, responsável por Tudo, inclusive por Sua concepção. Ísis é a Criadora, a Amante, a Amada, o Poder do Trono, A Divina Inventora, A Grande Feiticeira.
Um aspecto muito importante de Ísis, é o seu aspecto de curadora. Tendo também o título de Curandeira Divina, ela é invocada pelos enfermos e pelos que praticam a cura, tanto física quanto espiritual. Seus templos também eram fortes centros de cura.
Ísis possui vários símbolos. Muitas vezes aparece com o Ankh . O Ankh é uma cruz que simboliza a vida eterna. É portada por quase todos os Deuses egípcios. Não se tem certeza sobr suas origens. Uma versão nos diz que ele representa os órgão sexuais do homem e da mulher unidos. Outra versão nos diz que ele deriva de uma boneca africana da fertilidade que possuía uma cabeça grande e era um amuleto das mulheres que queriam engravidar.
Ísis também aparece com o disco solar e chifres de vaca (seu animal sagrado) em sua cabeça. Mas este símbolo também pode ser visto como as três fases da lua. O disco solar sendo a lua cheia, e os chifres sendo, um, a lua crescente em sua "metade", e o outro, a lua minguante em sua "metade". Isto deixa evidente que Ísis também é uma Deusa Tríplice.
Sua representação com asas geralmente é vista quando estão ressaltados seus aspectos de Curadora e de Deusa da Morte. É batendo Suas asas sobre Osíris que Ela o traz de volta à vida. A Deusa da Morte é também a Deusa da Vida, pois uma contém a outra. O ciclo é sempre o mesmo, vida, morte, renascimento. Aliás, Ísis se mostra também como Deusa Negra quando se veste de preto, sustentando o luto pelo desaparecimento do marido e sai a sua procura.
Como Deusa do Mar ela é a padroeira dos navegantes. Como Deusa da Magia e dos Mistérios ela é uma grande mestra na evolução espiritual.
Ísis é a deusa do amor, da divinação, dos partos, das artes. A dança do ventre é originária da dança sacerdotal executada pelas sacerdotizas da Deusa em seus templos. Mas sua origem não nasceu aí. Ela teve como nascente a Suméria e os ritos para Innana.
A Dança do Sete Véus, por exemplo, é referente aos sete chakras, às sete cores do arco-íris, e aos sete planetas. Cada chakra tem suas características positivas quando equlibrado. Quando desequilibrado ele assume qualidades negativas. A retirada dos véus simboliza o desbloqueio e a harmonia dos chakras. A correlação dos chakras com os planetas em termos de suas características positivas e negativas é muito interessante e precisa. Estes sete véus correspondem também aos sete portais, os quais a Deusa Innana atravessa quando vai ao submundo.
Ísis era uma mãe e uma deusa amorosa e tudo perdoava a seus seguidores. Ísis era anterior a toda a Criação, era paciente e sábia. Como a Abençoada Virgem Maria, tão conhecida atualmente no Ocidente e no Oriente, a rainha Ísis concebera seu divino filho por meios divinos. Do morto e castrado Osíris, ela extraiu por conta própria a semente viva. E muitas vezes foi retratada em pinturas ou esculturas com o divino filho, Hórus, sobre o joelho. Tinha o busto nu em total inocência para alimentar o jovem deus. E Osíris mandava no mundo dos mortos, seu falo perdido para sempre nas águas do Nilo, onde dele corria um fluxo interminável de sêmen, fertilizando os extraordinários campos do Egito todos os anos quando o rio transbordava. O deus era um homem perfeito, bronzeado e ao luar. Conhecia ofícios. Sabia ler a mente das pessoas. Osíris, o deus do sangue, julgava o malfeitor olhando dentro do coração do malfeitor. A seu lado a Deusa mulher murmurava que o deus faria seu julgamento e aplicaria o castigo e que o sangue mau agora seria purificado e renasceria em outra pessoa e que esse sangue não o prejudicaria.
Ísis sob a forma de serpente se ergue na fronte do rei para destruir os inimigos da Luz, e sob a forma da estrela Sótis anuncia e desencadeia as cheias do Nilo. Ísis era tida como deusa da harmonia e das festas, que auxiliava a arrecadar fundos para as mesmas.
ANNA PAIM
Essa grandiosa Deusa pode ser invocada para tudo, pois abrange todas as questões humanas e Divinas. Isto faz com que seja conhecida como a Deusa de Dez Mil Nomes, de tantos títulos que a ela são atribuídos.
Seu nome original era Aset, que significa espírito. Deusa egípcia, Ísis recebeu este nome pelos gregos depois que estes invadiram o Egito. Assim, Ísis tornou-se conhecida e cultuada na Ásia Menor e em grande parte da Europa.
Filha de Nut (Deusa do Céu) e de Geb (Deus da Terra), Ísis tinha como irmãos, Osíris, Nephtys e Seth. Ela se casou com Osíris, seu irmão, algo comum na nobreza egípcia e em outras culturas. O que reafirma, pelo menos para mim, o tabu do incesto como algo puramente cultural.
Uma das partes mais conhecidas da história de Ísis é a procura a seu marido Osíris. Originalmente tendo se afogado num acidente, posteriormente, o mito o levou a ser assassinado por seu irmão Seth. Osíris foi esquartejado em catorze pedaços que foram espalhados pelo mundo. Ísis profundamente entristecida saiu em busca de seu amado. Se transformou em andorinha - daí sua representação com asas - se difarçou de empregada, enfermeira, prostituta, até encontrar os pedaços de Osíris. Não conseguiu encontrar um, o falo. A Deusa, então, criou um falo de ouro e através da magia trouxe Osíris à vida e concebeu seu filho Hórus.
A imagem de Ísis com seu filho Osíris nos braços hoje em dia é muito forte, principalmente pela semelhança a imagem da Virgem Maria com o menino Jesus nos braços. Mas Ísis não tem apenas o aspecto de Mãe. Ela é a Grande Deusa, responsável por Tudo, inclusive por Sua concepção. Ísis é a Criadora, a Amante, a Amada, o Poder do Trono, A Divina Inventora, A Grande Feiticeira.
Um aspecto muito importante de Ísis, é o seu aspecto de curadora. Tendo também o título de Curandeira Divina, ela é invocada pelos enfermos e pelos que praticam a cura, tanto física quanto espiritual. Seus templos também eram fortes centros de cura.
Ísis possui vários símbolos. Muitas vezes aparece com o Ankh . O Ankh é uma cruz que simboliza a vida eterna. É portada por quase todos os Deuses egípcios. Não se tem certeza sobr suas origens. Uma versão nos diz que ele representa os órgão sexuais do homem e da mulher unidos. Outra versão nos diz que ele deriva de uma boneca africana da fertilidade que possuía uma cabeça grande e era um amuleto das mulheres que queriam engravidar.
Ísis também aparece com o disco solar e chifres de vaca (seu animal sagrado) em sua cabeça. Mas este símbolo também pode ser visto como as três fases da lua. O disco solar sendo a lua cheia, e os chifres sendo, um, a lua crescente em sua "metade", e o outro, a lua minguante em sua "metade". Isto deixa evidente que Ísis também é uma Deusa Tríplice.
Sua representação com asas geralmente é vista quando estão ressaltados seus aspectos de Curadora e de Deusa da Morte. É batendo Suas asas sobre Osíris que Ela o traz de volta à vida. A Deusa da Morte é também a Deusa da Vida, pois uma contém a outra. O ciclo é sempre o mesmo, vida, morte, renascimento. Aliás, Ísis se mostra também como Deusa Negra quando se veste de preto, sustentando o luto pelo desaparecimento do marido e sai a sua procura.
Como Deusa do Mar ela é a padroeira dos navegantes. Como Deusa da Magia e dos Mistérios ela é uma grande mestra na evolução espiritual.
Ísis é a deusa do amor, da divinação, dos partos, das artes. A dança do ventre é originária da dança sacerdotal executada pelas sacerdotizas da Deusa em seus templos. Mas sua origem não nasceu aí. Ela teve como nascente a Suméria e os ritos para Innana.
A Dança do Sete Véus, por exemplo, é referente aos sete chakras, às sete cores do arco-íris, e aos sete planetas. Cada chakra tem suas características positivas quando equlibrado. Quando desequilibrado ele assume qualidades negativas. A retirada dos véus simboliza o desbloqueio e a harmonia dos chakras. A correlação dos chakras com os planetas em termos de suas características positivas e negativas é muito interessante e precisa. Estes sete véus correspondem também aos sete portais, os quais a Deusa Innana atravessa quando vai ao submundo.
Ísis era uma mãe e uma deusa amorosa e tudo perdoava a seus seguidores. Ísis era anterior a toda a Criação, era paciente e sábia. Como a Abençoada Virgem Maria, tão conhecida atualmente no Ocidente e no Oriente, a rainha Ísis concebera seu divino filho por meios divinos. Do morto e castrado Osíris, ela extraiu por conta própria a semente viva. E muitas vezes foi retratada em pinturas ou esculturas com o divino filho, Hórus, sobre o joelho. Tinha o busto nu em total inocência para alimentar o jovem deus. E Osíris mandava no mundo dos mortos, seu falo perdido para sempre nas águas do Nilo, onde dele corria um fluxo interminável de sêmen, fertilizando os extraordinários campos do Egito todos os anos quando o rio transbordava. O deus era um homem perfeito, bronzeado e ao luar. Conhecia ofícios. Sabia ler a mente das pessoas. Osíris, o deus do sangue, julgava o malfeitor olhando dentro do coração do malfeitor. A seu lado a Deusa mulher murmurava que o deus faria seu julgamento e aplicaria o castigo e que o sangue mau agora seria purificado e renasceria em outra pessoa e que esse sangue não o prejudicaria.
Ísis sob a forma de serpente se ergue na fronte do rei para destruir os inimigos da Luz, e sob a forma da estrela Sótis anuncia e desencadeia as cheias do Nilo. Ísis era tida como deusa da harmonia e das festas, que auxiliava a arrecadar fundos para as mesmas.
ANNA PAIM
Hino a Isis – datado entre os séculos III e IV.
Porque eu sou a primeira e a última
Eu sou a venerada e a desprezada
Eu sou a prostituta e a santa
Eu sou a esposa e a virgem
Eu sou a mãe e a filha
Eu sou os braços de minha mãe
Eu sou a estéril, e numerosos são meus filhos
Eu sou a bem-casada e a solteira
Eu sou a que dá a luz e a que jamais procriou
Eu sou a esposa e o esposo
E foi meu homem quem me gerou em seu ventre
Eu sou a mãe do meu pai
Sou a irmã de meu marido
E ele é o meu filho rejeitado
Respeitem-me sempre
Porque eu sou a escandalosa e a discreta.
Eu sou a venerada e a desprezada
Eu sou a prostituta e a santa
Eu sou a esposa e a virgem
Eu sou a mãe e a filha
Eu sou os braços de minha mãe
Eu sou a estéril, e numerosos são meus filhos
Eu sou a bem-casada e a solteira
Eu sou a que dá a luz e a que jamais procriou
Eu sou a esposa e o esposo
E foi meu homem quem me gerou em seu ventre
Eu sou a mãe do meu pai
Sou a irmã de meu marido
E ele é o meu filho rejeitado
Respeitem-me sempre
Porque eu sou a escandalosa e a discreta.
Pegasus
Pégaso (em grego: Πήγασος) é um cavalo alado símbolo da criatividade de espírito, da imaginação e da imortalidade. Sua figura é originária da mitologia grega, presente no mito de Perseu e Medusa. Pégaso é filho de Medusa e Poseidon (deus do mar). Quando Perseu decapitou Medusa, seu corpo caiu ao mar. O seu sangue juntamente com a espuma do mar fez nascer o cavalo alado.
Diz a lenda grega que Pégaso, pouco depois de nascer, bateu com os cascos no chão do monte Hélicon, na Beócia, fazendo brotar nesse local uma fonte conhecida como Hipocrene, que se tornou símbolo de inspiração poética para gregos e romanos.
Dali em diante, muitos homens tentaram capturar e domar o fabuloso animal, mas sem sucesso pois pegasus era uma criatura veloz e rápida como o vento, apresentando um carácter indomável. Posteriormente, a deusa Atena decidiu colaborar com o herói grego Belerofonte, na captura do fantástico animal, para que este pudesse ajudar o guerreiro a destruir a Quimera. Atena ofereceu a Belerofonte um rédea de ouro que fez com que Pégaso mal o avistasse, se aproximasse docemente e se deixasse cavalgar sem muito esforço.
Pégaso foi de grande valia para Belerofonte, pois ajudou-o de forma decisiva, nas suas aventuras contra as Amazonas e a Quimera. Entretanto, o sucesso obtido fez com que o guerreiro acabasse dominado pelo orgulho e pela vaidade, usando o cavalo voador para tentar alcançar o Olimpo, a morada dos deuses, pretendendo unir-se a eles. Zeus não concordou com isso e fez com que o cavalo alado derrubasse o ambicioso cavaleiro e o deixasse cair de grande altura, para morrer, segundo alguns autores, ou para ficar coxo e cego, segundo outros. Ao mesmo tempo, Zeus permitiu que o cavalo alado continuasse a subir cada vez mais alto e passasse, desde então, a viver entre as estrelas, onde acabou sendo transformado numa constelação do hemisfério celestial norte - a constelação de Pégaso.
"Pegasus voou para longe, deixando a Terra, a mãe dos rebanhos, e veio para os imortais; e ele habita o palácio de Zeus, trazendo o trovão e o relâmpago para o habilidoso Zeus"
Diz a lenda grega que Pégaso, pouco depois de nascer, bateu com os cascos no chão do monte Hélicon, na Beócia, fazendo brotar nesse local uma fonte conhecida como Hipocrene, que se tornou símbolo de inspiração poética para gregos e romanos.
Dali em diante, muitos homens tentaram capturar e domar o fabuloso animal, mas sem sucesso pois pegasus era uma criatura veloz e rápida como o vento, apresentando um carácter indomável. Posteriormente, a deusa Atena decidiu colaborar com o herói grego Belerofonte, na captura do fantástico animal, para que este pudesse ajudar o guerreiro a destruir a Quimera. Atena ofereceu a Belerofonte um rédea de ouro que fez com que Pégaso mal o avistasse, se aproximasse docemente e se deixasse cavalgar sem muito esforço.
Pégaso foi de grande valia para Belerofonte, pois ajudou-o de forma decisiva, nas suas aventuras contra as Amazonas e a Quimera. Entretanto, o sucesso obtido fez com que o guerreiro acabasse dominado pelo orgulho e pela vaidade, usando o cavalo voador para tentar alcançar o Olimpo, a morada dos deuses, pretendendo unir-se a eles. Zeus não concordou com isso e fez com que o cavalo alado derrubasse o ambicioso cavaleiro e o deixasse cair de grande altura, para morrer, segundo alguns autores, ou para ficar coxo e cego, segundo outros. Ao mesmo tempo, Zeus permitiu que o cavalo alado continuasse a subir cada vez mais alto e passasse, desde então, a viver entre as estrelas, onde acabou sendo transformado numa constelação do hemisfério celestial norte - a constelação de Pégaso.
"Pegasus voou para longe, deixando a Terra, a mãe dos rebanhos, e veio para os imortais; e ele habita o palácio de Zeus, trazendo o trovão e o relâmpago para o habilidoso Zeus"
Hesíodo
Pégaso ganha os céus, liberto, simbolizando a vitória da inteligência e sua união com a espiritualidade. É símbolo da Liberdade, da Arte, da Poesia, da Sublimação e da possibilidade de "voar" entre o Céu e a Terra, qual ponte viva em opostos.
A história de Pégaso tornou-se um dos temas predilectos da literatura e das artes plásticas gregas da Antiguidade, o mesmo acontecendo nos séculos seguintes.
No segundo período das suas obras, que vai de 1595 a 1601, o poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) escreveu Henrique IV, onde faz a seguinte alusão a Pegasus:
De elmo e armadura lhe cobrindo o corpo,
O jovem Henrique IV do chão erguer-se,
Tão destro quanto o alígero Mercúrio,
E o corcel cavalgar, airosamente,
Como se fosse um anjo que das nuvens
Caísse e um cavaleiro se fizesse,
Para um fogoso Pégaso domar
Também, Luís de Camões (c. 1524-1580) o célebre poeta de Portugla, considerado uma das maiores figuras da literatura em língua portuguesa e um dos grandes poetas do Ocidente se refere a Pegasus, directa ou indirectamente, em algumas das suas obras;
Os Lusíadas
4
E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham enveja às de Hipocrene.
4.8
"Que não tenham enveja às de Hipocrene": Hipocrene é etimològicamente a Fonte Cabalinaou a Fonte do Cavalo. Camões chamou-lhe Fonte Cabalina na égloga IV e águas cabalinasno soneto 153. Hipocrene é uma das nascentes (a mais celebrada pelos poetas) que brotam na "grande e divina montanha", o Hélicon (Hesíodo) (v. "Prelúdio" da Teogonia), nos confins da Fócida e da Beócia, entre o lago Cópais e o golfo de Corinto. O cavalo 'Pégaso' feriu a rocha com o casco e assim brotou a fonte. Outra nascente do Hélicon é Aganipe, citada por Camões (III.2.4). A escolha das 'musas heliconianas' por Hesíodo justifica-se porque este, nascido em Ascra, vivia perto do Hélicon e do vale das Musas. Camões refere ainda outras moradas deApolo e das Musas: o Pindo (cadeia de montanhas que separa o Epiro da Tessália) (III.2.5) e oParnaso, monte da Fócida, perto de Delfos, sede de um importante santuário consagrado aApolo, onde brotava a água da fonte Castália (I.32.4).
Ort.: enveja (por inveja).
Éclogas FRONDOSO e DURIANO, pastores
Cantando por um vale docemente,
deciam dous pastores, quando Febo
no reino de Neptuno se escondia.
De idade, cada um era mancebo,
mas velho no cuidado, e descontente
do que lhe ele causava parecia.
O que cada um dizia,
lamentando seu mal, seu duro Fado,
não sou eu tão ousado
que o ouse a cantar sem vossa ajuda;
porque, se a minha ruda
frauta, deste amor vosso for dina,
posse escusar a fonte cabalina.
Em vós tenho Helicon, tenho Pegaso;
em vós tenho Calíope, em vós Talia
e as outras sete irmãs do fero Marte;
em vós perde Minerva sua valia;
em vós estão os sonos de Parnaso;
das Piérides em vós se encerra a arte.
Coa mais pequena parte,
Senhora, que me deis da ajuda vossa,
podeis fazer que eu possa
escrever ao sol resplandecente;
podeis fazer que a gente
em mim do grão poder vosso se espante
e que vossos louvores sempre cante.
Florbela Espanca
Poetisa portuguesa: Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894 - Matosinhos, 8 de Dezembro de 1930
« - ...menino?...
- Não, menina! É uma flor!»
«Literatura viva»: escrevia-se em 1927, no primeiro artigo da revista Presença «literatura viva é aquela em que o artista insuflou a sua própria vida, e por isso mesmo passa a viver de vida própria. sendo esse artista um homem superior pela sensibilidade, pela inteligência e pela imaginação, a literatura viva que ele produza será superior; inacessível, portanto, às condições do tempo e do espaço»
- Esparsos de Florbela
- Trocando Olhares
- O Livro d'Ele
- Livro de Mágoas
- Livro do Nosso Amor
- Livro de Soror Saudade
- Charneca em Flor
- Reliquiae
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)
Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gémea da minha!
Tua alma, assim como a minha,
Rasgando as núvens pairava
Por cima dos outros,
À procura de mundos novos,
Mais belos, mais perfeitos, mais felizes.
Criatura estranha, espírito irriquieto,
Cheio de ansiedade,
Assim como eu criavas mundos novos,
Lindos como os teus sonhos,
E vivias neles, vivias sonhando como eu.
Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gémea da minha!
Já que em vida não tinhas descanso,
Se existe a paz na sepultura:
A paz seja contigo!
(Poema encontrado no espólio de Fernando Pessoa)
O Principezinho
Antoine de Saint-Exupéry, 1943
[...]
E foi então que apareceu a raposa.
__ Olá, bom dia! __ disse a raposa.
__ Olá, bom dia! __ respondeu educadamente o principezinho, que se virou para trás, mas não viu ninguém.
__ Estou aqui, debaixo da macieira __ disse a voz.
__ Quem és tu? __ perguntou o principezinho. És bem bonita...
__ Sou uma raposa __ disse a raposa.
__ Anda brincar comigo __ pediu-lhe o principezinho. __ Estou tão triste...
__ Não posso ir brincar contigo __ disse a raposa. __ Ainda ninguém me cativou.
__ Ah! Então desculpa! __ disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
__ «Cativar» quer dizer o quê? __ Vê-se logo que não és de cá __ disse a raposa. __ De que andas tu à procura?
__ Ando à procura dos homens __ disse o principezinho. __ «Cativar» quer dizer o quê?
__ Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar __ disse a raposa. __ É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas. Aliás, na minha opinião, é o único interesse deles. Andas à procura de galinhas?
__ Não __ disse o principezinho. __ Ando à procura de amigos. «Cativar» quer dizer o quê?
__ É uma coisa de que toda a gente se esqueceu __ disse a raposa. __ Quer dizer «criar laços»...
__ Criar laços? __ Sim, laços __ disse a raposa. __ Ora vê: por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E
tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti... __ Parece-me que estou a perceber __ disse o principezinho. __ Sabes, há uma certa flor... tenho a impressão que ela me cativou...
__ É bem possível __ disse a raposa. __ Vê-se cada coisa cá na Terra...
__ Oh! Mas não é na Terra! __ disse o principezinho.
A raposa pareceu muito intrigada: __ Então, é noutro planeta? __ É. __ E nesse planeta há caçadores?
__ Não. __ Começo a achar-lhe alguma graça... E galinhas? __ Não. __ Nada há bela sem senão... __ suspirou a raposa.
Mas voltou a insistir na mesma idéia: __ Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu caço galinhas e os homens caçam-me a mim. As galinhas são todas parecidas umas com as outras e os homens são todos parecidos uns com os outros. Por isso, às vezes, aborreço-me muito. Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca,como uma música. E depois, repara! Estás a ver aqueles campos de trigo ali adiante? Eu não gosto de pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando tu me tiveres cativado, vai ser maravilhoso! O trigo é dourado e há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do som do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar para o principezinho durante muito tempo. __ Se fazes favor... Cativa-me! __ acabou finalmente por pedir.
__ Eu bem gostava __ respondeu o principezinho, __ mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para
descobrir e uma data de coisas para conhecer... __ Só conhecemos o que cativamos __ disse a raposa. __ Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja. Compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como
não há vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos. Se queres um amigo, cativa-me! __ E tenho de fazer o quê? __ disse o principezinho.
__ Tens de ter muita paciência. Primeiro, sentas-te longe de mim, assim , na relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes
nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, podes-te sentar cada dia um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte. __ Era melhor teres vindo à mesma hora __ disse a raposa. __ Por exemplo, se vieres às quatro horas, às três, já eu começo a estar feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sinto. Às quatro em ponto, hei-de estar toda agitada e toda inquieta: fico a conhecer o preço da felicidade!
[...]
E foi então que apareceu a raposa.
__ Olá, bom dia! __ disse a raposa.
__ Olá, bom dia! __ respondeu educadamente o principezinho, que se virou para trás, mas não viu ninguém.
__ Estou aqui, debaixo da macieira __ disse a voz.
__ Quem és tu? __ perguntou o principezinho. És bem bonita...
__ Sou uma raposa __ disse a raposa.
__ Anda brincar comigo __ pediu-lhe o principezinho. __ Estou tão triste...
__ Não posso ir brincar contigo __ disse a raposa. __ Ainda ninguém me cativou.
__ Ah! Então desculpa! __ disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
__ «Cativar» quer dizer o quê? __ Vê-se logo que não és de cá __ disse a raposa. __ De que andas tu à procura?
__ Ando à procura dos homens __ disse o principezinho. __ «Cativar» quer dizer o quê?
__ Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar __ disse a raposa. __ É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas. Aliás, na minha opinião, é o único interesse deles. Andas à procura de galinhas?
__ Não __ disse o principezinho. __ Ando à procura de amigos. «Cativar» quer dizer o quê?
__ É uma coisa de que toda a gente se esqueceu __ disse a raposa. __ Quer dizer «criar laços»...
__ Criar laços? __ Sim, laços __ disse a raposa. __ Ora vê: por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E
tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti... __ Parece-me que estou a perceber __ disse o principezinho. __ Sabes, há uma certa flor... tenho a impressão que ela me cativou...
__ É bem possível __ disse a raposa. __ Vê-se cada coisa cá na Terra...
__ Oh! Mas não é na Terra! __ disse o principezinho.
A raposa pareceu muito intrigada: __ Então, é noutro planeta? __ É. __ E nesse planeta há caçadores?
__ Não. __ Começo a achar-lhe alguma graça... E galinhas? __ Não. __ Nada há bela sem senão... __ suspirou a raposa.
Mas voltou a insistir na mesma idéia: __ Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu caço galinhas e os homens caçam-me a mim. As galinhas são todas parecidas umas com as outras e os homens são todos parecidos uns com os outros. Por isso, às vezes, aborreço-me muito. Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca,como uma música. E depois, repara! Estás a ver aqueles campos de trigo ali adiante? Eu não gosto de pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando tu me tiveres cativado, vai ser maravilhoso! O trigo é dourado e há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do som do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar para o principezinho durante muito tempo. __ Se fazes favor... Cativa-me! __ acabou finalmente por pedir.
__ Eu bem gostava __ respondeu o principezinho, __ mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para
descobrir e uma data de coisas para conhecer... __ Só conhecemos o que cativamos __ disse a raposa. __ Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja. Compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como
não há vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos. Se queres um amigo, cativa-me! __ E tenho de fazer o quê? __ disse o principezinho.
__ Tens de ter muita paciência. Primeiro, sentas-te longe de mim, assim , na relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes
nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, podes-te sentar cada dia um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte. __ Era melhor teres vindo à mesma hora __ disse a raposa. __ Por exemplo, se vieres às quatro horas, às três, já eu começo a estar feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sinto. Às quatro em ponto, hei-de estar toda agitada e toda inquieta: fico a conhecer o preço da felicidade!
[...]
«As pessoas crescidas têm sempre necessidade de explicações... Nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante para as crianças estarem sempre a dar explicações.»
«Tenho o direito de exigir obediência, porque as minhas ordens são sensatas.»
«Os homens compram tudo pronto nas lojas... Mas como não há lojas de amigos, os homens não têm amigos.»
«Só se vê com o coração. O Essencial é invisível aos olhos.»
«Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante.»
«Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativaste.»
Para reflectir: o chapéu; os embondeiros;o pôr-do-sol; os espinhos das rosas; a flor; o rei; o vaidoso; o bêbado; o homem de negócios; o acendedor de candeeiros; o geógrafo; a serpente; a flor do deserto; o eco da montanha; o jardim de rosas; a raposa, «cativar», rituais; o agulheiro; o vendedor; a fonte/poço.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Agora Nunca é Tarde
As nuvens passam...
As folhas caem...
Mas enquanto houver AGORA, NUNCA É TARDE!
" Cada um de nós nasce com um artista lá dentro. Um poeta, um escultor, um aventureiro... um cientista, um pintor, um arqueólogo, um estilista, um astronauta, um cantor, um marinheiro. E o sonho e a distância, e o tempo e a saudade deram-nos vida, amor, problemas, mentiras e verdade; e damos por nós mesmos descobrindo que agora, se calhar, já é um pouco tarde. E nas memórias velhas e secretas da menina morou sempre aquele sonho de um dia ser... bailarina, actriz, modelo, princesa, muito rica; eu sei lá! Mas os anos correram num assombro, e a vida foi injusta em qualquer jeito para a chama indelével que ainda arde. E os filhos são bonitos no seu peito. Pois é... mas agora... agora já é tarde. E nos papéis antigos que rasgamos há sempre meia dúzia que guardamos. São os planos da conquista do Pólo Norte que fizemos aos sete anos, escondidos no sótão uma tarde, e estiveram perdidos trinta anos. E agora, se calhar, maldita sorte! Por desnorte, acaso ou esquecimento, alguém já descobriu o Pólo Norte e agora... agora pronto, agora já é tarde. Há sempre nas gavetas escritores secretos, cientistas e doutores, desenhos e projectos construtores feitos em meninos de tudo o que sonhámos fazer quando fosse a nossa vez! Cientistas em busca de Plutão, arqueólogos no Egipto, viajantes sempre sem destino, futebolistas de sucesso no Inter de Milão. E o curso da vida foi traidor, e o curso da vida foi cobarde, e o ciclo do tempo completou-se, e agora... e agora pronto, paciência, agora já é tarde... Agora é tarde. Emprego, casa, filhos muito queridos, algum sonhar ainda com amigos, às vezes sair, beber uns copos p’ra esquecer ou p’ra lembrar, e fazer ainda um certo alarde, talvez para esconder ou para abafar, como é já tão demasiado e tão impiedosamente tarde... Não... mas não, não; nunca é tarde para sonhar! Amanhã partimos todos para Istambul, Vladivostock, Alasca, Oslo, Dakar! Vamos à selva a Timor abraçar aquela gente e às montras de Amsterdam (que eu afinal também não sou diferente). Chegando a Tóquio são horas de jantar, depois temos de voltar a Bombaim, passando por Macau e Calcutá, que eu encontro Portugal em todo o lado e mesmo fugindo nunca saio de mim. E se esse marinheiro, galã, aventureiro, esse, já não há, pois que me saiba cumprir com coerência, nos limites decentes da demência, nos limites dementes da decência; e cumpramo-nos todos, já agora, até ao fim, no que fazemos, na diferença do que formos e dissermos! E perguntando, criando rebeldias, conferindo aquilo que acreditamos e que ainda formos capazes de sonhar! E se aquilo, aquilo que nos dão todos os dias não for coisa que se cheire ou nos deslumbre, que pelo menos nunca abdiquemos de pensar com direito à ironia, ao sonho, ao ser diferente. E será talvez uma forma inteligente de, afinal, nunca... nunca, nunca ser tarde demais para viver, nunca ser tarde demais para perceber, nunca ser tarde demais para exigir, nunca ser tarde demais para ACORDAR. "
Pedro Barroso, "Navegador do Futuro
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